Casais Inesquecíveis da Telinha #03


E na semana mais romântica do ano, o Lembra de Mim não poderia ficar de fora, e pra celebrar o amor selecionei uma lista com alguns casais da ficção que conquistaram meu coração e os de muitos noveleiros. Como toda a lista, esta é bem particular, mas é certo que em alguns casos muitos concordarão. Tentei fugir do óbvio com os casais que são unanimidade, como Jade e Lucas, de O Clone, Babalu e Raí, de Quatro Por Quatro, Nando e Milena, de Por Amor e Sinhozinho Malta com viúva Porcina, em Roque Santeiro.

Então venha recordar e suspirar outra vez com esses casais apaixonantes. Pois não importa a forma que você ama ou quem você ama, desde que você ame. E a ficção sempre representou muito bem todas as formas de amar.

Amor Proibido



O dilema entre a fé e a paixão foi belamente retratado na minissérie Hilda Furacão (1998), escrita por Glória Perez, e na novela de Manoel Carlos, Mulheres Apaixonadas (2003), nesta, a rica e bela Estela (Lavínia Vlasack), dondoca acostumada a ter todas as suas vontades e desejos atendidos, cai de amores pelo charmoso italiano Padre Pedro (Nicola Siri). O virtuoso sacerdote tenta resistir como pode aos apelos da linda mulher, mas Estela insisti em conquistá-lo usando todos os seus artifícios. Aos poucos, ela se desprende da vida fútil que leva, fazendo uso de sua fortuna em benefício de obras sociais, deixando o Padre cada vez mais encantado por sua mudança e atitudes nobres. Embalados pela romântica canção italiana Imbranato, de Tiziano Ferro, a paixão da dondoca fútil, que bebia champanhe no café da manhã pelo desprendido e abnegado Padre, ganhou a forte torcida do público, com direito a final feliz.



Já em Hilda Furacão, o drama foi mais forte. Maltus (Rodrigo Santoro) foi criado para dedicar sua vida à Deus, é um Frei ingênuo e inocente que abraçou sua vocação sem questionamentos, na pequena Santana dos Ferros, onde nasceu e se criou é conhecido e tratado por Santinho. Mas ao partir para a capital, a fim de estudar para virar Frade, Maltus se depara com o maior dos pecados, que jamais poderia imaginar, a famosa e deslumbrante Hilda Furacão (Ana Paula Arósio), uma luxuosa prostituta, que pra ele é a verdadeira encarnação do demônio. Ainda assim, o Frei vê sua pureza ameaçada e sua vocação colocada em cheque ao se apaixonar pela fascinante Hilda.

Uma das mais belas histórias já contadas na TV, o amor de Hilda e Maltus é pura emoção. Ana Paula Arósio, mais linda do que nunca e Rodrigo Santoro, no frescor de seu talento muito bem lapidado com o passar dos anos, foram impecáveis.





Amor Inter-racial


A exemplo de Jade (Giovana Antonelli) e Lucas (Murilo Benício), em O Clone (2001), uma muçulmana e um brasileiro, também tivemos na telinha o amor arrebatador de Paco (Reynaldo Gianechinni) e Preta (Taís Araújo), que se conheceram ao som do tambor de crioula, em Da Cor do Pecado (2004), de João Emanuel Carneiro, ele branco e ela negra. Antes desse casal, tivemos outros com a mesma diferença na cor da pele, outros dois vividos também por Taís ao lado de Victor Wagner, em Xica da Silva (1996) e Tiago Lacerda, em Viver a Vida (2009), bem como Sônia (Zezé Mota) e Cláudio (Marcos Paulo), em Corpo a Corpo (1984), mas nenhum foi tão apaixonante quanto a história de Paco e Preta. Os dois tiveram que ultrapassar inúmeros obstáculos para ficarem juntos e viverem seu amor plenamente: as vilanias de Bárbara (Giovana Antonelli) e Toni (Guilherme Weber), a oposição do milionário Afonso Lambertini (Lima Duarte), pai de Paco e principalmente a morte forjada do mocinho, que fez com que Preta acreditasse por muito tempo ter perdido pra sempre seu grande amor e acabar criando sozinha o esperto Raí (Sergio Malheiros), fruto desse amor, concebido entre as dunas das paradisíacas prais de São Luís do Maranhão. Palavras ao Vento, na pungente voz de Cássia Eller, dava tom a esse romance cheio de percalços.





Amor Rural




Impossível não cair de amores com o primeiro encontro da boia-fria Luana (Patrícia Pilar) e o fazendeiro Bruno Mezenga (Antonio Fagundes), em O Rei do Gado (1996), sucesso de Benedito Ruy Barbosa. Arredia e bronca, Luana não era de fácil convivência, mas o amor e a paciência do traído rei do gado, fez com que ela se rendesse a paixão, que nasceu às margens do rio Araguaia. O forte amor que os unia passou por cima das convenções e diferenças sociais. E ao som da belíssima Correnteza, de Djavan, foram capítulos e mais capítulos de emoção com as emblemáticas atuações de Patrícia e Fagundão.





Amor com diferença de idade




Em Laços de Família (2000), de Manoel Carlos, quem terminou a história ao lado de Edu (Reynaldo Gianechinni), foi a insuportável Camila (Carolina Dieckmann), que fez de tudo para tomar o namorado da mãe. Mas quem nos fazia suspirar mesmo era Edu com Helena (Vera Fischer). Ela, mais velha, sensual e exuberante conquistou o coração do jovem médico, que pressionado por todos os lados, acabou cedendo as investidas da filha de sua namorada mais velha. A química entre Vera e Giane pegava fogo, tanto que era fácil esquecer a diferença de idade entre os dois, mas infelizmente não vimos os dois terminarem juntos.



Diferente de Dinho (Murilo Rosa) e Neuta (Eliane Giardini), de América (2005), novela de Glória Perez, que tiveram um final feliz. O casal conquistou o público pelo humor inserido no romance. A viúva ilibada e durona se rende a paixão pelo peão mais moço, mas para não manchar sua reputação de viúva séria, exige segredo absoluto sobre o envolvimento dos dois. Ao som de Os Amantes, entoada por Daniel, nos divertimos e quisemos nos apaixonar como Dinho e Neuta.





Amor Entre Mulheres




Eleonora (Mylla Christie) e Jenifer (Bárbara Borges), em Senhora do Destino (2004) e Clara (Alinne Moraes) e Rafaela (Paula Picarelli), em Mulheres Apaixonadas (2003), escritas por Aguinaldo Silva e Manoel Carlos respectivamente, representaram maravilhosamente o amor entre mulheres. Com muito charme e delicadeza a relação lésbica das personagens marcaram a teledramaturgia brasileiro.





Amor de Época




No século XIX, a cortesã Ester Delamare (Malu Mader) e Inácio Sobral (Fábio Assunção), viveram uma linda história de amor, na novela de Gilberto Braga e Alcides Nogueira, Força de Um Desejo (1999). Mas antes de concretizarem sua paixão, sofreram o diabo com as armações de Alice (Lavínia Vlasack), Idalina (Nathalia Timberg), e o maior dos problemas, o casamento dela com o Barão Henrique Sobral (Reginaldo Faria), pai de Inácio. Os mocinhos só conquistaram seu final feliz, com o assassinato do Barão, que deixou Ester viúva, não sem antes, claro, serem acusados do crime e terem que provar sua inocência. 




Amor Com Diferenças de Classe




Lucas Candeias de Sá (Leonardo Vieira) era o herdeiro de uma fábrica de brinquedos, e Cláudia (Patrícia França), uma das funcionárias da fábrica. Os dois se apaixonaram à primeira vista, mas além das diferenças sociais, os segredos de Cláudia, que fugia de um marido violento e tinha uma filha desaparecida, ameaçavam o romance. Lúcia (Isabela Garcia), a noiva de Lucas, e a paixão doentia de Jorge (Fábio Assunção), irmão de Lucas e vilão da história, por Cláudia, também dificultava o amor lindo dos dois, na novela Sonho Meu (1993), de Marcílio Moraes.

Leonardo Vieira e Patrícia França estendiam a parceria que iniciaram em Renascer (1993), quando deram vida ao Coronel José Inocêncio e seu grande amor, Maria Santa, na primeira fase da trama de Benedito Ruy Barbosa. Em Sonho Meu, eles elevaram a máxima potência a química que já havia conquistado o País na novela das oito. O amor de Lucas e Cláudia era um conto de fadas moderno maravilhoso de se ver.





Amor Entre Homens



No remake de Ti Ti Ti (2010), escrito por Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari, tinha um dos casais homoafetivo mais lindos que já vi em novelas, meu preferido, sem dúvidas. Julinho (André Arteche) e Tales (Armando Babaioff), trilharam um caminho tortuoso até o final feliz, mas foi um dos romances entre iguais mais bem conduzidos da TV.

No início, Julinho vivia um casamento sólido e apaixonado com Osmar (Gustavo Leão), mas este sofreu um acidente de carro e não resistiu. Viúvo, Julinho passou longos capítulos sofrendo com a falta de seu amor, até conhecer Eduardo (Josafá Filho), e se apaixonar novamente. O porém, é que Eduardo não era gay e quando Julinho ficou sabendo desse detalhe, sofreu uma nova desilusão. Desgostoso e desesperançado do amor, Julinho se fecha, e custa a se abrir novamente a uma paixão, mesmo quando conhece Tales, surfista não assumido, com dificuldades para sair do armário, mas completamente envolvido por Julinho. Quando finalmente se entregam a paixão que sentem um pelo outro, Tales descobre o prazer incomparável de assumir quem se é, e Julinho experimenta novamente a felicidade.

Embalados por uma trilha perfeita: True Collors, na voz de Alessandra Maestrini e Heartbreak Warfare, de John Mayer, Julinho e Tales foram um sonho de casal.





Amor Paciente



Um amor que demora mais de sete anos para ser vivido em sua plenitude, assim foi o amor de Álvaro (Tony Ramos) e Helena (Maitê Proença), em Felicidade (1991), de Manoel Carlos. Eles se conheceram, Álvaro era noivo, mas isso não impediu a paixão entre os dois. Um tempo depois tiveram uma tarde de amor, mas se desencontraram e Álvaro seguiu com os preparativos do casamento com Débora (Viviane Pasmanter). Da única vez que ficaram juntos, Helena engravidou, e quando finalmente conseguiu reencontrar Álvaro para contar a novidade desistiu diante das circunstâncias. Helena e Álvaro se afastam novamente, e ela decide criar sua filha, a pequena e adorável Bia (Tatiane Goulart) sozinha.

Quando o casal se reencontra sete anos depois do casamento de Álvaro, muitas coisas mudaram, menos o amor que ambos sentem um pelo outro.





Amor Especial



Todos os amores são especiais, mas assumir uma paixão por alguém com necessidades especiais não é pra qualquer um. Tônia (Marjorie Estiano), em Caminho das Índias (2009), de Glória Perez, e Rafael (Rainer Cadete), em Amor à Vida (2013), de Walcyr Carrasco, encararam o desafio de peito aberto, enfrentando todas as dificuldades e preconceitos para viverem seus amores por Tarso (Bruno Gagliasso) e Linda (Bruna Linsmeyer) respectivamente.

Tarso e Tônia se apaixonaram antes dele desenvolver uma esquizofrenia. Quando a doença estava no auge, Tônia ganhou uma bolsa para estudar fora do País, algo pelo qual ela batalhou muito e que o irmão Murilo (Caco Ciocler), incentivou ferozmente, até para afastá-la do namorado, que ele considerava um atraso em sua vida. Mas tocada pelo agravamento do estado de seu amor, Tônia abriu mão de sua tão sonhada bolsa e ficou ao lado de Tarso, provando seu amor e abnegação.

Um pouco mais complicado foi o romance entre Linda, que era autista, e Rafael, um advogado que foi se encantando pela garota, mesmo com seu distúrbio neurológico. A família não entendia, nem aceitava como um homem dito normal podia se interessar por uma garota com autismo. Rafael quebrou as barreiras do preconceito e conseguiu viver seu amor com Linda.






Amor Que Se Transforma




O amor e o ódio são dois sentimentos que estão muito próximos e para que um se transforme no outro não é muito difícil, quem ama demais pode ver seu sentimento se transformar em ódio se não for correspondido na mesma medida, da mesma forma que um ódio muito exagerado pode esconder um sentimento de profunda paixão.

Fabinho (Humberto Carrão) e Giane (Isabelle Drummond) não se suportavam, em Sangue Bom (2013), mas a implicância deu lugar a empatia, quando Fabinho precisou de ajuda, e somente Giane lhe estendeu a mão. A empatia virou paixão, que se transformou em amor, e pelo amor o vilão Fabinho se regenerou e protagonizou um dos romances mais fofos da novela de Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari. Amo esse casal com força!

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