Os 27 anos da minissérie O CANTO DAS SEREIAS #05



Muitos anos antes da badalada microssérie O Canto da Sereia, protagonizada por Ísis Valverde, na Rede Globo, em 2013, a TV Manchete estreava em 16 de julho de 1990 a sua O Canto das Sereias, no plural, porque não era só uma, mas três, e na minissérie de Paulo César Coutinho, elas realmente eram os seres mitológicos do mar, metade mulher e metade peixe. Eu, que sempre fui fascinado pela lenda desses seres híbridos, jamais esqueci essa tão pouco lembrada produção de 8 capítulos, que foi ao ar naquele longínquo inverno do comecinho dos anos 90, nos fins de noite da saudosa Rede Manchete.




O autor Paulo César Coutinho, falecido em 01 de agosto de 1996, e responsável por diversas interessantes produções da emissora de Adolpho Bloch, trouxe para a TV o mito das sereias e seu universo mágico com a história de Teoxíope, Parthenope e Aglaope, sereias vividas por Ingra Liberato, Nani Venâncio e a sumida modelo Andreia Fetter.

o autor Paulo César Coutinho


O Canto das Sereias era uma atualização das lendas e mitos gregos como Orfeu e Fedra, e girava em torno do escritor em crise Ulisses (José de Abreu) e sua esposa Sophrosine (Mika Lins), que se mudam para uma ilha em busca de sossego e inspiração para o trabalho dele, e também como tentativa de salvar o casamento dos dois. Lá, são introduzidos no mundo da magia pelo bruxo Laerte (Xandó Batista).

Teoxíope, uma sereia de 3 mil anos, se apaixona por Ulisses, dessa forma, literalmente, o seduz com seu canto enfeitiçador. Ao mesmo tempo, ao chegar na ilha, Telêmaco (Giuseppe Oristânio), filho de Ulisses, e a madrasta Sophrosine, se apaixonam.

Teoxíope e Ulisses
 

Sinphrosine

Telêmaco
Junto com Teoxíope, outras duas sereias emergem das águas para se envolver com mortais. Aglaope (Andreia Fetter), abre mão de sua imortalidade para se casar com o pescador Orfeu (Luciano Quirino), e acaba morrendo. E Parthenope (Nani Venâncio), atormenta com seu canto o faroleiro Hélio (Marcos Caruso), levando-o à loucura.

Parthenope, Aglaope e Teoxíope


Ulisses


as sereias


Bem ao estilo do diretor Jayme Monjardim, O Canto das Sereias era um trabalho mais rebuscado, fora do padrão, com ritmo lento, edição cinematográfica e linguagem e enquadramentos totalmente diferentes do que se via na televisão. O texto tinha muita mitologia grega e discutia a ligação do homem com a magia e a existência de vários deuses. O próprio Monjardim declarou que, o texto de Coutinho era muito profundo e difícil de trabalhar, pois quase não existiam diálogos, e sim pensamentos. E contou que buscou muitos elementos do teatro grego, deixando de lado o naturalismo das interpretações, que lembravam mais um grande teatro televisivo. Por isso, a produção era uma faca de dois gumes, as pessoas iriam amar ou odiar, sem meio termo.

Infelizmente, por ser um tanto quanto confusa, devido ao embaralhamento de personagens gregos e a dificuldade em se pronunciar os nomes dos personagens, a minissérie não se tornou uma produção memorável. O que a faz ser mais lembrada pelas deslumbrantes paisagens naturais do que qualquer outra coisa. 

Curiosidades:

- A minissérie com direção de Jayme Monjardim e trilha sonora de Marcus Vianna, dupla de sucessos como Pantanal (1990) e O Clone (2001), foi gravada no paradisíaco arquipélago de Fernando de Noronha. A ilha foi disputada por duas emissoras, pois no mesmo período, a Rede Globo produzia a minissérie Riacho Doce, que estreou uma semana depois, com locações também em Noronha. Quando a Globo anunciou que pretendia ambientar sua minissérie lá, a Manchete correu na frente e iniciou as gravações de O Canto das Sereias, que era um projeto que já existia há algum tempo, enfrentando assim vários problemas de pressão da Globo, que tentou "fechar as portas" para as gravações da concorrente.

- O projeto da minissérie foi rejeitado pela Globo três anos antes, assim como aconteceu com Pantanal, mas sem o mesmo êxito que a novela de Benedito Ruy Barbosa.

- A intenção dos produtores era fazer uma segunda temporada da minissérie, que tornou-se inviável devido ao insucesso da trama.

- A minissérie era exibida de Segunda à quinta-feira.

- Nani Venâncio foi convidada para fazer a sereia Parthenope após protagonizar a abertura da novela Pantanal

- Único trabalho na TV, em dramaturgia, da modelo gaúcha Andreia Fetter, a sereia Aglaope, que no embalo da minissérie, posou nua para uma revista masculina, em novembro de 1990.



Contemple um trecho dessa bonita produção da nossa teledramaturgia, que estreou há exatos 27 anos:


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